De volta aos estúdios, banda de rock prova que não perdeu a mão
Flavinha Campos
Passada mais de uma década sem lançar nenhum álbum de inéditas, o Kiss voltou à ativa no estúdio com promessas de um disco à moda antiga produzido pelo próprio Paul Stanley. Como disse o baixista e fundador do grupo Gene Simmons em entrevista: "Sem strings, teclados, sintetizadores, tamborins, nem nada - só carne e batatas". A princípio, a proposta parecia conversa fiada e a capa de Sonic Boom, que foi divulgada em agosto, um tanto feiosa. Porém, ao escutarmos a faixa de abertura, "Modern Day Dalilah", pela primeira vez, entendemos que Gene, Paul & Cia sabem o que estão fazendo, mesmo que eles tenham exagerado um pouco na conversa.
A faixa poderia bem ter saído do Cretures Of The Night (1982), além de sua qualidade sólida e fazer presença de peso logo de cara. Essa é pra agradar ao fãs. Nos primeiros acordes de guitarra da segunda faixa, "Russian Roulette", dá aquela sensação que é o Kiss de antigamente. As sapecadas do baixo de Gene entre os rifes dão substância à música, que pode até ser considerada a mais pesada aqui. Daí pra frente, o álbum parece realmente com os trabalhos do grupo do início dos anos 90, "Never Enough", "Yes I Know (Nobody's Perfect)", "Hot And Cold" e "Danger Us" poderiam muito terem aparecido em Revenge.
Já "I'm An Animal" é mais arrastada, remetendo ao som do grupo na época de Lick It Up (1983). A carismática "All For the Glory" traz a estreia de Eric Singer nos vocais principais em estúdio, numa canção original escrita por Paul feita para ele. Quem viu o show já sabe que o batera sabe cantar, pois, ao vivo, solta a voz em "Nothin' To Lose" e "Black Diamond". Em "When Lightning Strikes", Tommy Thayer surge como uma agradável surpresa no vocal principal. Na pegada do hard rock de refrão facinho para a massa cantar em grandes estádios e fazendo a linha "God Gave Rock'n'Roll To You", está "Stand", que promete agradar a mocinha, o garotão e o vovô, mas quem é fã do som mais pesado e substancioso do Kiss vai achar esse som meio poser.
Seguindo a mesma linha, mas com um nível mais elevado, "Say Yeah" fecha o disco com chave de ouro. O refrão cheio de yeah yeahs foi feito para ecoar na voz do povo em grandes estádios. O solo é incrível e a parte lenta passa rapidamente por um momento "God Gave Rock'n'Roll to You", mas sem exageros.
Assim como o último álbum do AC/DC, Black Ice, que soava exatamente como o AC/DC de sempre, Sonic Boom do Kiss parece com o Kiss de sempre. Algumas poucas músicas são mais semelhantes com o material do final dos anos 70 e início dos 80, mas a grande maioria já cai para a linha que o grupo seguia no início dos 90.
De qualquer forma, isso é ótimo, pois quem gosta de Kiss quer ouvir Kiss e não outra coisa que não sejam os clássicos. A cada faixa a impressão é de que já se escutou algo muito parecido anteriormente, praticamente quase todas remetem a um clássico do passado. Portanto, a originalidade passa longe das composições. O que neste caso é muito bom, porque Kiss é Kiss, o som tem que ser igual ao Kiss e não adianta inventar moda.
Artista: Kiss
Álbum: Sonic Boom
Gênero: Rock'n'Roll; Hard Rock
Lançamento: Universal
Preço: sob consulta
TRACKLIST
1. Modern Day Delilah
2. Russian Roulette
3. Never Enough
4. Yes I Know (Nobody's Perfect)
5. Stand
6. Hot and Cold
7. All For the Glory
8. Danger Us
9. I'm an Animal
10. When Lightning Strikes
11. Say Yeah!
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